No embate entre a enciclopédia e o hipertexto, mais do que informação, formas de transmiti-la e capacidade de recebê-las, está a sociedade e as mudanças das quais é ao mesmo tempo causa e consequência.
Para qual geração saber que Ag é o símbolo da prata na tabela periódica é realmente fundamental? Para esta e a que virá logo em seguida parece não fazer diferença. Se o hipertexto não existisse hoje, ainda assim esta geração não colocaria tal conhecimento na enciclopédia. Tabela periódica não; história da MTV, com certeza.
Outro dia, minha irmãzinha de 12 anos disse, ao comentar sobre quais músicas poderiam tocar no meu aniversário: “tem aquele outro ritmo também, como chama? Ah, MPB”. Chico Buarque, para ela, é só um nome que, de vez em quando, permeia as conversas de adultos. Eu fico triste e, da mesma forma que minha mãe suspirava ao ouvir de mim, quando eu tinha 12 anos, que “Belchior é uma chatice”, percebo a próxima geração mais vazia e... sem poesia.
Então, tento olhar essas crianças “não informadas” mais de perto. Minha irmã nunca leu Shakespeare, mas, de tanta Hanna Montana e Jonas Brothers já tem um inglês fluente, com direito a gírias! Sabe apenas que uma vez, há muito tempo, existiu um cara chamado Marco Polo, mas, por outro lado, encontra os pontos mais impossíveis no mundo virtual em minutos. Ela pergunta se “o Pelé foi tudo isso mesmo”, mas é capaz de criar um jogo de videogame sobre futebol em uma semana.
Não é o nosso ideal de uma pessoa “informada”, mas é o da próxima geração. Assim, para se discutir o quanto de sentido o hipertexto roubou da informação, é preciso entender que é exatamente essa “informação relevante” que gera esse tal de “conhecimento”. Em Enciclopédia e Hipertexto. O Projeto, Olga Pombo diz que “no hipertexto não há, pura e simplesmente, qualquer sistema de seletividade”. Discordo, há sim. O problema é que a seleção sendo feita, diariamente pelos internautas, não é aquela que nós temos como a mais sábia. Mesmo no argumento da autora, de que “trata-se de uma seletividade que só funciona na medida em que o leitor é detentor de competências críticas de discriminação do eu é mais importante, de dispositivos subjetivos de determinação das boas e das más informações”, revela-se a mesma questão de que é a falta de competências necessárias para se obter uma boa informação que torna o hipertexto “um meio de diversão, distração e esquecimento” (Paulo Serra, Informação e Sentido) e não um ambiente democrático e de infinitas possibilidades onde novas competências talvez comecem a substituir, em sua ideia do que é de fato importante, informações antes tidas como boas e que agora são... descartáveis.
Não é a forma como a informação é transmitida ou a sociedade que a recebe. O hipertexto substituiu a enciclopédia porque o Homem de antes também foi substituído. Podemos preferir o passado e até sentir certa pena por uma sociedade que se direciona para um caminho que não temos como o mais acertado. Mas não podemos julgar esses novos indivíduos (e a parte de nós que sucumbiu às novas tecnologias) a partir do que costumava ser importante. Com base em um conhecimento que também ficou... démodé.
No filme Rebobine, por favor, do francês Michel Gondry (um diretor “sem memória”, como sua geração, e que veio do videoclipe), todas as fitas de uma locadora são desmagnetizadas e, para salvar o negócio, dois amigos refilmam tramas como Conduzindo Miss Daisy e 2001, uma Odisseia no Espaço, da maneira como eles lembram ser os filmes, e com recursos mais do que precários. O resultado, além de divertido, explica um pouco a questão do “descaso” pelo passado e da facilidade em substituir memórias. Um clássico do cinema, por muitos considerado uma obra-prima, é apreendido por dois “ignorantes” que de nada entendem de cinematografia, e transformado em outro filme, mais “fácil de entender” e divertido do que o original – e que lota a locadora de clientes. Um insulto a Kubrick ou uma forma de mantê-lo vivo para uma geração que nem de longe o percebe como gênio?
Paulo Serra, em Informação e Sentido, diz que tal abundância de informações oferecida pelos novos meios de comunicação resulta em “um querer saber não para saber mas para o ter sabido”. Pois é justamente o que muitos defendem como a “boa informação”, negligenciada pela massa sem capacidade para apreendê-la, que essa geração tem como um “saber só para ter sabido”. E cito outro exemplo, meu primo de 17 anos. Ele decidiu assistir a obra-prima de Kubrick, “de tanto falarem”. Dormiu na metade. E não porque lhe faltou competência para enxergar a “genialidade” do filme, mas porque, para a sua vida, sua rotina, para quem pretende ser, aquela obra não lhe diz nada.
E isso, de modo algum, significa a queda do médium, para usar o termo de Paulo Serra. Literatos e imprensa podem ter perdido parte de sua importância e influência, mas, ao mesmo tempo, justamente por conta da abundância de informação, são necessários mediadores que digam o que vale ou não a pena ser absorvido. Evan Williams, cofundador e diretor geral do Twitter, ao lançar o site, disse: “jornalistas são os curadores de conteúdo, com o papel de separar o joio do trigo”. “A adoção relativamente arbitrária de um ponto de vista”, caraterística da enciclopédia, permanece no hipertexto. A diferença é que talvez um ponto de vista antes subjugado agora seja o dominante e que aqueles dispensados, ainda que menor, também têm espaço.
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sábado, 19 de dezembro de 2009
A Nova Enciclopédia
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O sentido que falta a comunicação
Valter Hugo Muniz
Jornalismo Noturno
Matrícula:06000524
Durante a historia da humanidade, desde a materialização da razão, posteriormente chamada de ciência, o ser humano sempre buscou dentro de si respostas filosóficas primárias que explicassem concretamente (e satisfatoriamente) o porquê de estar no mundo.
Segundo o pensador francês Jean Paul Sartre "Ser homem é propender a ser Deus; ou, se preferirmos, o homem é fundamentalmente desejo de ser Deus".
Contudo, além de objetivos filosóficos, o homem sempre buscou também satisfazer o desejo de poder que também se manifesta nesse almejar ser Deus.
A informação materializada por meio da escrita, som e imagem e o conhecimento passível de ser adquirido por meio dela tornou-se logo uma forma privilegiada de obtenção e manutenção do poder.
Desde os gregos, romanos e passando principalmente pela Idade Média o conhecimento e principalmente a restrição para o acesso do mesmo era controlado de maneira tantas vezes repressiva.
Por meio de discursos religiosos, culturais e de aspecto “piramidal” mostrava-se claro que somente aqueles seres privilegiados de intelecto ou mesmo “abençoados” eram dotados do dom de transmitir a Verdade para os seus semelhantes.
Contudo, no Iluminismo essa matriz de conhecimento é modificada com o surgimento da Enciclopédia de Diderot, que tinha como principal objetivo evidenciar “a razão como fonte de conhecimento e não a revelação, como a Igreja Católica pretendia”.
Usando o empirismo como método, tendo como objetivo condensar e resumir todo o conhecimento instrumental essa tentativa de Diderot e D’Alembert de criar uma “memória desmedida” travou uma verdadeira batalha contra os paradigmas estabelecidos e perpetuados pela sociedade até então.
No estudo “O projeto da Enciclopédia e seus registros sobre o Jornalismo” o autor deixa explicito que os enciclopedistas estavam “mexendo com maribondos”, apontando assim a interdependência entre informação e poder, como explicita Robert Darmton em seu estudo “O grande massacre dos gatos”.
Contudo, mesmo diante desse ideal libertador e emancipador do conhecimento que, pela primeira vez, ganhava aspectos universais, o próprio processo de disponibilização do conhecimento se confrontou com problemas insolúveis pela incapacidade de se sustentar em seus próprios preceitos.
O primeiro grande problema foi manter consonantes a descoberta e elaboração do conhecimento com a atualização dos volumes enciclopédicos. “Planejada originalmente para 8 volumes” dois anos depois chegou-se à 17 volumes.
Outro problema foi determinar o modo como essas informações cientificas seriam organizadas, principalmente pela interligações e relações de interdependência entre elas, tentando ao mesmo tempo contemplar os mais variados pontos de vista e resumindo-os, “reduzindo o conhecimento a limites comportáveis para cada ser humano”.
Por fim um aspecto que diz muito a respeito do principal objetivo do conceito de informação: “Que tipo de informação merece ser reunida, divulgada aos contemporâneos e transmitidas aos homens do futuro?”, quem faria essa escolha editorial?
É aqui onde as contradições ganham maior dramaticidade pois, o surgimento da enciclopédia visava “desmonopolizar” o conhecimento, mas a escolha editorial do seu projeto teria preferências especificas, decisões cabíveis, segundo os seus criadores, aos homens letrados, elitizando e monopolizando novamente o conhecimento e consequentemente, dotando seus criadores/leitores de um privilegio por poderem utilizar os livros para leitura. (é preciso evidenciar que no final do século XIX o índice de analfabetismo era bem mais acentuado).
“Sempre achei que ser jornalista era ser instrumento. Como o mediador que faz com que a mensagem seja materializada para o maior número de pessoas. Que as origens sociais do jornalismo fossem voltadas à promoção do bem comum da sociedade em que ele atua. Mas ela é herdeira do projeto enciclopédico, que mostrou que esses anseios altruístas foram suprimidos pela impossibilidade em si mesma da enciclopédia contemplar o conhecimento humano de maneira intrinsecamente imparcial.
Foi duro descobrir que o nascimento oficial da mídia queria, acima de tudo, oficializar mecanismos de controle da opinião pública. Criar um modo de representar a opinião do povo foi uma sentença de morte à diversidade de vozes. Como dizia Rosseau: a representação é um esvaziamento." (escrito pós aula a respeito da enciclopédia)
Tendo como base as origens enciclopédias e partindo da premissa de que a necessidade de compilar o conhecimento, de manipular a própria existência, descende do anseio de divindade pelo ser humano, me pergunto, ainda mais no advento da minha graduação, qual o objetivo real da informação?
Chiara Lubich, fundadora do Projeto NetOne (http://www.net-one.org/), um projeto que tem como objetivo reunir profissionais da comunicação de todo o mundo para discutir os meios de comunicação a partir da ótica da fraternidade, disse no primeiro congresso mundial, realizado no ano 2000, em Castelgandolfo, cidade da região dos Castelos Romanos, na Itália que “a comunicação social tem a tarefa de unir pessoas e enriquecer as suas vidas”.
A ideia de Rosseau de que a representação esvazia o sentido e a riqueza das diferentes vozes da sociedade fica mais evidente quando olhamos para nossa contemporânea “Sociedade da Informação”
Seguindo os preceitos e conceitos do projeto enciclopédico, mas agora potencializados pelos modernos meios de comunicação, a produção e organização do conhecimento humano têm gerado muitos questionamentos que tornam bem atuais do estudioso francês Jean Baudrillard que diz: “estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido”.
Procurando responder interiormente esse questionamento percebi que o anseio desmedido de buscar o conhecimento torna a busca não só infinita, impossível, mas absorve a necessidade de encontrar sentido em si mesmo.
A raiz da informação, explicitada na citação de Chiara Lubich é justamente disponibilizar e socializar o conhecimento para permitir uma identificação comunitária entre os seres humanos.
Aqui o jornalismo, como também acontecia com os “letrados” que produziam a enciclopédia, passa a ser manipulador de um instrumento que é fonte de poder.
Também a representação da opinião pública e a linha editorial da informação na atualidade passam por esse crivo extremamente parcial. É uma escolha objetiva que apresenta o que é socialmente importante ou não ser divulgado.
“O jornalista é o ser dotado de talento que o torna capaz de materializar em linguagem o mundo que passa cotidianamente sobre os nossos olhos." (escrito após a aula sobre informação e sentido)
No jornalismo, como também na produção da enciclopédia no século XIX, a produção da informação – verdade, isto é, na escolha do que é socialmente importante conhecer, não existe um debate social.
A representação da opinião publica por meio da enciclopédia, herdada depois pela mídia retirou da sociedade o espírito de busca coletiva por respostas satisfatórias.
Essa concessão social que concedeu a mídia o papel de “Senhora da Verdade” faz hoje dos meios de comunicação não um instrumento de emancipação social, mas um mecanismo de conformidade, passividade e de condução política em direção a interesses específicos.
Também como aconteceu com os enciclopedistas, o conhecimento, a informação disponibilizada só tem utilidade se aquele que a usufrui possui capacidade intelectual de manipulá-la. Pelo contrário, tornas-se um emaranhado infinito de possibilidades que tem mais aspecto dispersivo que sintético.
Mesmo havendo uma enorme quantidade de possibilidades e acesso a informação, principalmente no período pós internet, novamente nos vemos com a necessidade de, se quisermos manipular esses meios, termos um conhecimento precedente sobre eles. “A informação só tem utilidade para quem está informado; para quem não está informado de nada serve procurar essa informação”.
É justamente aqui que se encruzam todos os aspectos da discussão: da impossibilidade de tornar a informação algo imparcial, da desvinculação da informação como forma de poder e da incapacidade de contemplar todo o conhecimento e em tudo o que se é “compilado” conseguir encontrar sentido.
Não basta um espaço virtual como a internet, onde os hyperlinks criam essas relações entre determinados conhecimentos, não basta o anseio de disponibilizá-los. É preciso dar sentido a informação, buscando contemplar as necessidades sociais atribuídas à representação da opinião publica pela mídia.
Organizar e disponibilizar a informação certamente será uma escolha objetiva, como é também decidir os rumos da nossa própria vida como seres humanos, diante de uma infinidade de escolhas. Porém, se nessas escolhas editorias (pessoais ou profissionais) o jornalista (hoje) e o enciclopedista (antes) busca cotidianamente um sentido social, comunitário, para apresentação e representação dessas necessidades ele pode produzir, ao menos de uma nova perspectiva, uma informação que estimule e não escravize a sociedade.
Jornalismo Noturno
Matrícula:06000524
Durante a historia da humanidade, desde a materialização da razão, posteriormente chamada de ciência, o ser humano sempre buscou dentro de si respostas filosóficas primárias que explicassem concretamente (e satisfatoriamente) o porquê de estar no mundo.
Segundo o pensador francês Jean Paul Sartre "Ser homem é propender a ser Deus; ou, se preferirmos, o homem é fundamentalmente desejo de ser Deus".
Contudo, além de objetivos filosóficos, o homem sempre buscou também satisfazer o desejo de poder que também se manifesta nesse almejar ser Deus.
A informação materializada por meio da escrita, som e imagem e o conhecimento passível de ser adquirido por meio dela tornou-se logo uma forma privilegiada de obtenção e manutenção do poder.
Desde os gregos, romanos e passando principalmente pela Idade Média o conhecimento e principalmente a restrição para o acesso do mesmo era controlado de maneira tantas vezes repressiva.
Por meio de discursos religiosos, culturais e de aspecto “piramidal” mostrava-se claro que somente aqueles seres privilegiados de intelecto ou mesmo “abençoados” eram dotados do dom de transmitir a Verdade para os seus semelhantes.
Contudo, no Iluminismo essa matriz de conhecimento é modificada com o surgimento da Enciclopédia de Diderot, que tinha como principal objetivo evidenciar “a razão como fonte de conhecimento e não a revelação, como a Igreja Católica pretendia”.
Usando o empirismo como método, tendo como objetivo condensar e resumir todo o conhecimento instrumental essa tentativa de Diderot e D’Alembert de criar uma “memória desmedida” travou uma verdadeira batalha contra os paradigmas estabelecidos e perpetuados pela sociedade até então.
No estudo “O projeto da Enciclopédia e seus registros sobre o Jornalismo” o autor deixa explicito que os enciclopedistas estavam “mexendo com maribondos”, apontando assim a interdependência entre informação e poder, como explicita Robert Darmton em seu estudo “O grande massacre dos gatos”.
Contudo, mesmo diante desse ideal libertador e emancipador do conhecimento que, pela primeira vez, ganhava aspectos universais, o próprio processo de disponibilização do conhecimento se confrontou com problemas insolúveis pela incapacidade de se sustentar em seus próprios preceitos.
O primeiro grande problema foi manter consonantes a descoberta e elaboração do conhecimento com a atualização dos volumes enciclopédicos. “Planejada originalmente para 8 volumes” dois anos depois chegou-se à 17 volumes.
Outro problema foi determinar o modo como essas informações cientificas seriam organizadas, principalmente pela interligações e relações de interdependência entre elas, tentando ao mesmo tempo contemplar os mais variados pontos de vista e resumindo-os, “reduzindo o conhecimento a limites comportáveis para cada ser humano”.
Por fim um aspecto que diz muito a respeito do principal objetivo do conceito de informação: “Que tipo de informação merece ser reunida, divulgada aos contemporâneos e transmitidas aos homens do futuro?”, quem faria essa escolha editorial?
É aqui onde as contradições ganham maior dramaticidade pois, o surgimento da enciclopédia visava “desmonopolizar” o conhecimento, mas a escolha editorial do seu projeto teria preferências especificas, decisões cabíveis, segundo os seus criadores, aos homens letrados, elitizando e monopolizando novamente o conhecimento e consequentemente, dotando seus criadores/leitores de um privilegio por poderem utilizar os livros para leitura. (é preciso evidenciar que no final do século XIX o índice de analfabetismo era bem mais acentuado).
“Sempre achei que ser jornalista era ser instrumento. Como o mediador que faz com que a mensagem seja materializada para o maior número de pessoas. Que as origens sociais do jornalismo fossem voltadas à promoção do bem comum da sociedade em que ele atua. Mas ela é herdeira do projeto enciclopédico, que mostrou que esses anseios altruístas foram suprimidos pela impossibilidade em si mesma da enciclopédia contemplar o conhecimento humano de maneira intrinsecamente imparcial.
Foi duro descobrir que o nascimento oficial da mídia queria, acima de tudo, oficializar mecanismos de controle da opinião pública. Criar um modo de representar a opinião do povo foi uma sentença de morte à diversidade de vozes. Como dizia Rosseau: a representação é um esvaziamento." (escrito pós aula a respeito da enciclopédia)
Tendo como base as origens enciclopédias e partindo da premissa de que a necessidade de compilar o conhecimento, de manipular a própria existência, descende do anseio de divindade pelo ser humano, me pergunto, ainda mais no advento da minha graduação, qual o objetivo real da informação?
Chiara Lubich, fundadora do Projeto NetOne (http://www.net-one.org/), um projeto que tem como objetivo reunir profissionais da comunicação de todo o mundo para discutir os meios de comunicação a partir da ótica da fraternidade, disse no primeiro congresso mundial, realizado no ano 2000, em Castelgandolfo, cidade da região dos Castelos Romanos, na Itália que “a comunicação social tem a tarefa de unir pessoas e enriquecer as suas vidas”.
A ideia de Rosseau de que a representação esvazia o sentido e a riqueza das diferentes vozes da sociedade fica mais evidente quando olhamos para nossa contemporânea “Sociedade da Informação”
Seguindo os preceitos e conceitos do projeto enciclopédico, mas agora potencializados pelos modernos meios de comunicação, a produção e organização do conhecimento humano têm gerado muitos questionamentos que tornam bem atuais do estudioso francês Jean Baudrillard que diz: “estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido”.
Procurando responder interiormente esse questionamento percebi que o anseio desmedido de buscar o conhecimento torna a busca não só infinita, impossível, mas absorve a necessidade de encontrar sentido em si mesmo.
A raiz da informação, explicitada na citação de Chiara Lubich é justamente disponibilizar e socializar o conhecimento para permitir uma identificação comunitária entre os seres humanos.
Aqui o jornalismo, como também acontecia com os “letrados” que produziam a enciclopédia, passa a ser manipulador de um instrumento que é fonte de poder.
Também a representação da opinião pública e a linha editorial da informação na atualidade passam por esse crivo extremamente parcial. É uma escolha objetiva que apresenta o que é socialmente importante ou não ser divulgado.
“O jornalista é o ser dotado de talento que o torna capaz de materializar em linguagem o mundo que passa cotidianamente sobre os nossos olhos." (escrito após a aula sobre informação e sentido)
No jornalismo, como também na produção da enciclopédia no século XIX, a produção da informação – verdade, isto é, na escolha do que é socialmente importante conhecer, não existe um debate social.
A representação da opinião publica por meio da enciclopédia, herdada depois pela mídia retirou da sociedade o espírito de busca coletiva por respostas satisfatórias.
Essa concessão social que concedeu a mídia o papel de “Senhora da Verdade” faz hoje dos meios de comunicação não um instrumento de emancipação social, mas um mecanismo de conformidade, passividade e de condução política em direção a interesses específicos.
Também como aconteceu com os enciclopedistas, o conhecimento, a informação disponibilizada só tem utilidade se aquele que a usufrui possui capacidade intelectual de manipulá-la. Pelo contrário, tornas-se um emaranhado infinito de possibilidades que tem mais aspecto dispersivo que sintético.
Mesmo havendo uma enorme quantidade de possibilidades e acesso a informação, principalmente no período pós internet, novamente nos vemos com a necessidade de, se quisermos manipular esses meios, termos um conhecimento precedente sobre eles. “A informação só tem utilidade para quem está informado; para quem não está informado de nada serve procurar essa informação”.
É justamente aqui que se encruzam todos os aspectos da discussão: da impossibilidade de tornar a informação algo imparcial, da desvinculação da informação como forma de poder e da incapacidade de contemplar todo o conhecimento e em tudo o que se é “compilado” conseguir encontrar sentido.
Não basta um espaço virtual como a internet, onde os hyperlinks criam essas relações entre determinados conhecimentos, não basta o anseio de disponibilizá-los. É preciso dar sentido a informação, buscando contemplar as necessidades sociais atribuídas à representação da opinião publica pela mídia.
Organizar e disponibilizar a informação certamente será uma escolha objetiva, como é também decidir os rumos da nossa própria vida como seres humanos, diante de uma infinidade de escolhas. Porém, se nessas escolhas editorias (pessoais ou profissionais) o jornalista (hoje) e o enciclopedista (antes) busca cotidianamente um sentido social, comunitário, para apresentação e representação dessas necessidades ele pode produzir, ao menos de uma nova perspectiva, uma informação que estimule e não escravize a sociedade.
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